INforme fsa

Informativo dos Filhos de Sant'Ana

06/07/2010

Meditação de Sant'Ana - XI


MEDITAÇÃO PARA O DÉCIMO PRIMEIRO DIA
“O DESERTO” – Ex 15,22ss – 16,1-7



A palavra hebraica que traduzimos por “deserto” é “midbar” que significa não somente deserto lugar desabitado, terreno seco, árido, terreno não cultivado, estepe, mas se deve também relacionar com a raiz hebraica “dbr” que significa “falar”. Deste modo, a palavra “midbar” significa também conversação, diálogo. Dois significados que podem parecer contraditórios ou opostos, mas que na experiência religiosa do deserto não o são absolutamente.
O deserto representa um paradoxo para o antigo Israel tanto no plano natural como no plano teológico. No âmbito natural porque o deserto como o seu nomadismo é um componente essencial da historia do povo hebreu, destinado à vida sedentária na terra prometida e muitas vezes errante entre tantos povos.
No âmbito teológico, o deserto aparece como um lugar de contradição visto que na Bíblia é o lugar reservado aos malditos e deserdados, mas ao mesmo tempo foi o lugar onde o povo de Israel teve as mais importantes e decisivas manifestações de amor da parte de Deus. Assim que no Antigo Testamento o deserto é uma região desolada, sem vegetação (Is 27,10; Jr 4,26; Jl 4,19), árida (Ez 19,13; Os 13,5), pouco segura (Jr 2,6; Lm 5,9), habitada por seres monstruosos e animais selvagens (Is 30,6; 35,7). Mas devido à experiência do Sinai, encontramos uma dupla valência no período de tempo no qual o povo de Israel passou no deserto. Oseias (2,6ss) e Jeremias (2,1-3) viram no deserto o lugar do primeiro amor entre o Senhor e Israel; outros o consideraram como um tempo de pecado e do castigo sucessivo. Para ambos os modos de considerar o deserto coincide o fato de ser reconhecido o deserto como uma etapa importante na marcha de Israel em direção à Terra Prometida durante a qual o povo aprendeu muito de si e de Deus.
O deserto representa pois um lugar ou um tempo de prova e ao mesmo tempo de graça e revelação (cf. Dt 8,2; Nm 9,19; Ex 19,1ss).
O deserto é o cenário privilegiado onde Deus age em favor de seu povo. Faz-se presente, toma cuidado com esse, o acompanha e o guia. Segundo Jr 2,1-3, a marcha no deserto foi o tempo das relações mais puras de Israel com o Senhor.
O deserto é o lugar onde Deus estabelecerá a Aliança com o seu povo. E isto supõe uma mudança considerável naquilo que diz respeito à concepção que o povo tinha do Senhor: o Deus do Antigo Testamento era o Deus transcendente, distante, invisível e do qual não se podia pronunciar o nome; e aqui nos encontramos diante de um Deus que, sem deixar de ser transcendente, quer entrar na história do seu povo, é sensível à sua realidade e toma os devidos cuidados para com o seu povo.
O deserto enfim o lugar onde o povo hebreu experimenta o amor de Deus e, portanto o lugar do enamoramento, conseqüência lógica do acolhimento deste amor.

Pe. Valdo

Meditação de Sant'Ana - X


MEDITAÇÃO PARA O DÉCIMO DIA
“O DEUS DO ÊXODO” – Ex 14, 5-30


Uma vez que IHWH se fez conhecer, não tanto através de deduções teológicas ou artes mágicas; mas através de um estratagema no qual o grande objetivo era aquele de atrair a atenção de sua criatura, no caso personificado em Moisés, que como o primeiro Adão se mostrava arredio ás responsabilidades propostas pelo Senhor; Deus se propõe como “Aquele que É”. Uma definição simples e dinâmica onde a tônica está próprio no apresentar-se como Aquele que se comunica que se importa e que valoriza a vida humana, adverso a tudo aquilo que machuca, avilta e empobrece o humano viver.
Suas manifestações de agora em diante até a grande e majestosa teofania da passagem do mar vermelho terão o objetivo de promover Moisés como o interlocutor privilegiado. Não por seus méritos, mas por pura bondade divina. Endurecido o coração do Faraó, não resta que partir. Um “êx - odos” – sair de... em direção a novas estradas, rumos, metas. Uma imagem da nossa própria existência. Somos “passantes” pelo mundo. Caminhamos sempre, mesmo enquanto dormimos embalados por nossos sonhos...
Mas não existe um “ex – odos” sem um “eis – odos”; ou seja, uma entrada, um passo que indica direção certa, objetivo a atingir.
É nesta seguinte etapa que o Senhor Deus fará a “ainda não-nação” Israel entrar. Será Ele, IHWH dos Exércitos a dar uma identidade, uma direção precisa verso horizontes mais abrangentes.
Façamos nós também, acompanhados pelo Senhor o “nosso êxodo”, acompanhados por Ana e Joaquim faremos no Senhor grandes coisas.

Pe. Valdo

Confraternização Junina dos formandos e formandas















04/07/2010

Meditação de Sant'Ana - IX


MEDITAÇÃO PARA O NONO DIA
“A PÁSCOA” – Ex 12,1-12


Palavra sagrada, carregada de significados de esperança, sonhos e projetos, espaço de intimidade com o eterno no tempo, memória continuamente atualizada no mistério do amor de Deus. A Páscoa é tudo isto e mais ainda para aqueles que têm a coragem de lançar-se nos braços do Eterno e acreditar que para Ele nada é impossível.
Como toda realidade espiritual, tem no tempo e no espaço o seu início; uma festa celebrada no início da primavera, ambiente carregado de possibilidades; a semente jogada desaparece sob o manto da terra úmida. Espera-se: Germinará!
Talvez seja este o significado mais íntimo e poderoso do momento pascal; acreditar que é possível mudar; mas consciente de que tal mudança pede uma resposta de qualidade, que envolva toda a própria existência. Assim acreditou o povo de Deus; assim acreditou Moisés.
Toda Páscoa é teofania, compreendida não somente como uma manifestação potente diante dos elementos naturais revolvidos pelo agir divino. Mas alargada no seu significado pela capacidade de agir sobre o nosso espírito. Passar da morte á vida; do pecado á plenitude da graça n’Ele.
Por isto se transforma em Memorial. Não somente a recordação de um acontecimento passado, mas a constante presença do mesmo. É o “hic et nunc” de Deus. A sua senhoria sobre a história.
Nossos Pais na fé acolheram tal mistério; o fizeram próprio.
Nós como Família da Santa Mãe Ana somos convidados a dar continuidade na nossa vida, a imprimir qual sinal de vitalidade cristã a dinâmica pascal em nossas vidas.
Que o Senhor nos conceda tal graça para que saibamos reconhecê-lo nos eventos, tornando cada agir nosso um momento pascal.
Pe. Valdo

02/07/2010

Nada Fiz

Crismação - Vem viver, criar, amar com o melhor que há em você!


Quero externar a toda Família Religiosa e todos os amigos, minha alegria de poder participar do evento Crismação com os crismando da Matriz de São Gerardo Majella e com os jovens crismandos do colégio Santa Isabel. A Crismação teve inicio às 8h e terminou às 16h com a Santa Missa celebrada por nosso pároco Pe. Everton. Esse evento teve o intuito unir os jovens crismando da matriz e colégio, que se preparam para o Sacramento da Confirmação. Numa forma de gincana. Animação e participação não faltaram, todos num espírito de competição deram o máximo de si para que a Crismação acontecesse. Tivemos a presença de quase 120 jovens crismandos. Nosso encontro se realizou na quadra do colégio Santa Isabel. O evento foi permeado de muita alegria e de muita disposição. Aqui, os jovens também mostraram o espírito de solidariedade com a arrecadação de alimentos para ajudar os mais carentes que por sua vez valia pontos para o grupo.
Quero agradecer aos catequistas da Matriz de São Gerardo pela ousadia que tiveram de ir à frente com o evento Crismação, que com muita garra se dispuseram a animar e a instigar os jovens a fazerem as provas da gincana, onde o fruto do seu esforço resultou no brilho dos olhares dos jovens crismandos, que ao termino da Crismação saíram realizados pelo bom êxito do mesmo.
Dizia eu aos catequistas em uma carta redigida a eles: Alcançamos os corações dos jovens de forma cativante e assim Deus encontrou espaço para fazer suas maravilhas.
Estendo meus agradecimentos a Pastoral Familiar, a Pastoral da Juventude e ao EJC, que deram sua grande contribuição para que a Obra de Deus acontecesse. As Irmãos SMIC que nos cederam o espaço do colégio para ser realizado a Crismação. Ao Pe. Everton e ao Pe. Willian que confiaram no nosso trabalho com os crismandos e, de uma forma especial a minha comunidade; Irmãos e aspirantes Filhos de Sant’Ana, por terem me apoiado com suas orações neste trabalho de evangelização em meio aos jovens crismandos.

Que a alegria do Cristo Ressuscitado nos dê a compreensão de desbravar caminhos sólidos, visando à alegria de nossa querida juventude.

A Crismação nos fez viver, criar, amar com o melhor que há em nós.

Fr. Gilvan Bezerra da Silva, fsa Coord. da Pastoral da Crisma de São Gerardo

Medtiação de Sant'Ana - VIII


MEDITAÇÃO PARA O OITAVO DIA
“A VOCAÇÃO DE MOISÉS” – Ex 3,1-12


Com a história de Moisés se abre um novo período na vida do povo de Deus.
Da experiência de intimidade e liberdade vivida pelos Patriarcas de Abraão até Jacó, o povo de Deus passa agora por uma sofrida época de escravidão. Introduzidos por José no país do Egito e em um primeiro tempo tratados com respeito e distinção, os Hebreus aos poucos vêem reduzidas suas liberdades até o ponto de negada toda e qualquer expressão, passarem á mais completa escravidão.
Aqui, em um espaço de pura quotidianidade, Deus irrompe na história transformando-a segundo a sua pedagogia.
O “herói” em questão não é um valoroso soldado ou um poderoso sacerdote; mas um homem frágil, que embora criado no meio da realeza, vê na crise da própria identidade o momento de passar a um espaço de maior intimidade com Deus.
A vida de Moisés, não obstante ser conhecido no Antigo Testamento como “o amigo de Deus”, não o exonera da dura realidade de dever também ele dar seus passos, meio cambaleantes, em direção à verdade divina.
Uma vocação como a nossa, cheia de altos e baixos, de profundos encontros com o mistério, mas também cheia de tanto silêncio e incompreensão. E não obstante tudo, não se pode dizer que Moisés não foi sumamente amado por Deus. O interlocutor privilegiado, o mediador ante literam; para os Padres da Igreja, a prefiguração da única e eterna mediação de Jesus Cristo.
Quanto Moisés tem para nos ensinar! A confiança diante do mistério da sarça ardente; a capacidade de dialogar e estabelecer comunhão entre partes tão distantes quanto Deus e o povo de Israel na intrincada realidade dos fatos de então.
A própria vocação de íntima união com a história de seu povo levada ao extremo de, ele, o condutor, não poder colocar os pés na terra prometida, mas somente vislumbrá-la.
Uma história talvez tão nossa, que toca a própria consagração naquilo que é o seu efeito mais doloroso: abandonar conscientemente o meu projeto existencial, tão acalentado, para abraçar por toda a minha história aquele de Deus.
Um qualquer coisa de único, misterioso, divino.

Pe. Valdo

01/07/2010

Meditação de Sant'Ana - VII


MEDITAÇÃO PARA O SÉTIMO DIA
“OS PATRIARCAS” – Gn 28,3-4; 10-14


Até pouco tempo atrás o pedir “a bênção” aos pais ou aos avôs era um ato normal e familiarmente apreciado. Significava mais que um ato formal, um sinal de respeito e indiretamente, através daquela expressão: “Deus te abençoe!”, a certeza de que o Senhor estava ali vizinho, presente através daquelas bem ditas palavras. Tínhamos tempo para abençoar.
Hoje parece ter a situação mudada, sim, encontramos ainda famílias e espaços aonde esta sã tradição vem vivida, mas em relação a não muito tempo faz, bem poucos hoje pedem a bênção.
Talvez um dos fatores seja ligado a este frenesi de situações e atividades aos quais nos rebocamos. Parar e pedir que alguém te bem - diga, isto é que fale bem de você a Deus, para uma sociedade imediatista e não muito fã de relações de qualidade e duradouras parece próprio dispensável.
E, no entanto, a Palavra de Deus nos adverte claramente o quanto era essencial para alguém que partia em missão ou assumia um espaço novo na sociedade do seu tempo receber “a bênção” próprio porque era Deus que se manifestava demonstrando através daquele ato a sua predileção, favor em relação a quem a recebia. O melhor presente que alguém poderia receber era próprio “a bênção”. Esta fazia parte da promessa que Deus fez a Abraão e à sua descendência. Disse o Senhor a Abrão: “farei de ti um grande povo e te abençoarei, tornando grande o teu nome e te tornarás tu mesmo uma bênção. Abençoarei aqueles que te abençoarão... em ti serão abençoadas todas as famílias da terra.” (Gn 12,2.3).
Filhos da promessa, através de Sant’Ana e São Joaquim queremos como continuadores do agir da aliança pedir humildemente que sejamos abençoados, que nossas atividades e pensamentos sejam iluminados por esta benevolência celeste que, certamente nos ajudará a compreender e amar sempre mais a nossa chamada como servidores do Reino de Deus.

Pe. Valdo