INforme fsa

Informativo dos Filhos de Sant'Ana

07/03/2010

10 anos de Beatificação dos Protormátires do Brasil

No Santuário dos Mártires em Uruaçu se reuniu uma multidão de fiéis de toda a Arquidiocese de Ntal, que sairam me romaria dos diversos setores existentes para festejar os dez anos de beatifaicação dos mártires de Cunháu e Uruaçu. A missa foi presidida pelo Arcebispo Dom Matias, e concelebrada por diversos Padres e Diáconos. Juntamente com os consagrados(as), Seminaristas e os fieis que juntos louvavam a Deus pela vida de tantos que lavaram esta terra com o sangue do mártirio.

Breve histórico: Em 16 de junho de 1645, o Pe. André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis estavam participando da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú - no município de Canguaretama (RN). O que motivou a chacina? A intolerância calvinista dos invasores que não admitiam a prática da religião católica: isso custou-lhes a própria vida.
Três meses depois aconteceu o martírio de mais 80 pessoas, e sempre pelas mãos dos calvinistas holandeses. Entre elas estava o camponês Mateus Moreira, que teve o coração arrancado pelas costas, enquanto repetia a frase: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento". Isso aconteceu na Comunidade de Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante (a 18 km de Natal).

Segundo Mons. Francisco de Assis Pereira, Postulador da Causa de beatificação desses Mártires, "a memória dos servos de Deus sacrificados em Cunhaú e Uruaçu, em 1645, permaneceu viva na alma do povo potiguar, que os venera como autênticos defensores da fé católica". O processo de beatificação foi concedido pela Santa Sé, no dia 16 de junho de 1989, e, em 21 de dezembro de 1998, o Papa João Paulo II assinou o Decreto reconhecendo o martírio de 30 brasileiros, sendo dois sacerdortes e 28 leigos.
A cerimônia de Beatificação aconteceu no dia 5 de março, na praça de São Pedro, em Roma. A celebração foi presidida pelo Papa de saudosa memória, João Paulo II.

Ir. Jarbson

06/03/2010

Via Sacra

05/03/2010

Reflexões para a Quaresma IV

Quarta-Feira – Segunda Semana da quaresma
Textos de D. Laurence Freeman,OSB – original publicado na web: www.wccm.org
Tradução: Alessandro Akil
 
Os temas revelados durante os rituais de três dias de Páscoa, não são menos do que os principais elementos do sentido da vida. No mundo antigo “os mistérios de Elêusis” eram cerimônias de iniciação, para o culto de Deméter e Perséfone, que prometiam algum tipo de divinização aos que participassem.  Eram ritos secretos com raízes na pré-história da religião. Sócrates se recusou a participar porque a ele não seria permitido falar sobre o conhecimento que ali adquirisse. (era expressamente proibido aos participantes falar sobre a cerimônia ou os rituais). Como em todo ritual religioso sério, a preparação dos participantes se fazia necessária. A Quaresma é nossa preparação e a Páscoa é o nosso mistério.
Um dos temas do Mistério Pascal é o da traição. Jesus foi traído não somente por Judas, mas de certa forma por todos aqueles aos quais ele tentou ensinar. Isto não e incomum.  Mas a maneira de Jesus lidar com a traição foi extraordinária.
O tema da traição é mais profundo do que parece. É claro que, aprender a lidar com a traição ou com esperanças frustradas – sem nos tornarmos paranóicos e reconhecer nossa própria culpa - faz parte da maturidade. Deveríamos estar atentos a isto. E esse período de atenção da quaresma pode nos ajudar.  A meditação nos mostra como a própria mente pode nos trair. Mas mais ainda, nós deveríamos estar nos preparando para o grande tema: o mistério pleno que ate mesmo a maior traição é redimida.
 Laurence Freeman, OSB

04/03/2010

Reflexões para Quaresma III



Texto de D. Laurence Freeman,OSB – original publicado na web: www.wccm.org
Tradução – Marcelo Melgardes
Se a humildade fosse apenas uma versão ligeiramente concentrada de modéstia isso não iria representar nenhum grande desafio para nós. Jesus, entretanto, torna desconfortavelmente claro que é muito mais do que isso. “Não chamem ninguém na terra de mestre, porque vocês têm apenas um mestre... Quem se exaltar será humilhado, mas quem se humilhar será exaltado”.
Não há muita margem de manobra para o ego, ao cumprir seu papel, ignorando o espírito. Humildade é tão radical quanto puder ser. E assim ela transforma todas as estruturas de poder em que nos encontramos. Se tivermos poder sobre os outros, embora benevolentemente, ou se nos sentirmos subordinados à influência de outros, a mensagem é a mesma. No espírito somos todos revolucionários. Porque há apenas um mestre, somos iguais e não podemos fugir a isso, nosso verdadeiro eu, no desempenho de papéis, de gênero ou religiosos.
Na meditação a libertação de todos os sistemas de poder em que o ego tem um papel é o objetivo revolucionário. Quando isso é alcançado nos tornamos livres.
Laurence Freeman, OSB

Ano sacerdotal

Caríssimos Irmãos(ãs), amigos(as) e leitores(as),
    Partilho com vocês uma carta do Prefeito da Congregação para o Clero, o Cardeal Cáudio Hummes, escrita aos sacerdotes brasileiros reunidos na XIII Encontro Nacional de Presbíteros, em São Paulo.
    Aproveito para recordar o nosso empenho de intensificar as orações por todos os Sacerdotes, neste especial Ano Sacerdotal.
    Um forte abraço a todos(as).


Caros irmãos no sacerdócio,

"Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote!", eis o tema do Ano Sacerdotal que estamos vivenciando. O Papa Bento XVI deseja que este ano especial seja um tempo de profunda renovação interior dos sacerdotes. Justamente por essa razão, propõe São João Maria Vianney como modelo de vida sacerdotal, um exemplo antigo, mas com uma mensagem de vida e santidade sacerdotal que são perenes e atuais.
O Cura d'Ars dizia que "um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus é o maior tesouro que o Bom Deus possa dar a uma paróquia e uma das dádivas mais preciosas da misericórdia divina". Ser pastor segundo o coração de Deus, eis o grande desafio para os sacerdotes de todos os tempos, eis o maior tesouro que o nosso Pai poderia oferecer aos fiéis de nossas comunidades.
O sacerdote será Bom Pastor na medida em que, através do exercício quotidiano do seu ministério, se dedicar integralmente a Cristo e, por Ele, com Ele e Nele, aos irmãos, em total fidelidade, sempre a exemplo do mesmo Senhor. Por essa razão, o apelo à fidelidade quer recordar a cada um de nós, o feliz dever de renovar os compromissos assumidos no dia da nossa Ordenação, de sermos, de fato, homens pobres, castos, obedientes, fiéis anunciadores do Evangelho, a todos sem exceção, em espírito de verdadeira comunhão eclesial.
O povo brasileiro, sedento de Deus, deseja vivamente que seus sacerdotes sejam homens de Deus. Por sua vez, o sacerdote não se tornará "homem de Deus" se não for "homem de oração". Assim sendo, na vida do sacerdote a oração e a intimidade com Deus são essenciais e insubstituíveis. A oração na vida do presbítero ou ocupa um lugar central, ou será um belo ideal, distante de ser concretizado.
O Papa Bento XVI, em sua homilia da Quinta‐feira Santa de 2006, afirma que "ser sacerdote significa ser homem de oração". Se o trabalho pastoral não for precedido e acompanhado pela oração, perderá seu valor e sua eficácia. O tempo que empregamos no cultivo da amizade com Cristo, na oração pessoal e litúrgica – concretamente na dedicação de um tempo determinado e quotidiano à meditação e na fiel recitação da Liturgia das Horas –, é um tempo de atividade autenticamente pastoral. Por essa razão, o sacerdote deve ser, sempre, um homem de oração. Não nos iludamos: se falta a oração pessoal na vida do presbítero, sua ação pastoral será estéril e correrá o risco de perder de vista o "primeiro Amor", ao qual entregou incondicionalmente sua vida, naquele dia memorável e cheio de generosidade, o dia da sua ordenação sacerdotal.Em referência à programação para o Ano Sacerdotal, gostaríamos de lembrar‐vos do Encontro Internacional de Sacerdotes, com o Santo Padre, em Roma, nos dias 9, 10 e 11 de junho do ano corrente, por ocasião do encerramento deste tempo de graça. Queremos fazer deste encontro um marcante gesto de comunhão eclesial, com a presença de sacerdotes das várias nações do mundo, junto ao Sucessor de Pedro. Todos são convidados a participar deste evento. Desejamos poder contar com um significativo número de sacerdotes do Brasil, pois poderá significar uma feliz ocasião para agradecer ao Santo Padre seu carinho e atenção para com o povo brasileiro, especialmente depois de sua visita par a abertura da Conferência Geral do Episcopado Latino‐americano e do Caribe, em Aparecida.
Caros irmãos, gostaríamos de exortar‐vos, com aquelas mesmas palavras de São Paulo: "Estai sempre alegres. Orai continuamente. Em todas as circunstâncias, daí graças, porque esta é a vontade de Deus, em Cristo Jesus, a vosso respeito (...) Que o próprio Deus da paz vos santifique inteiramente, e que todo o vosso ser – o espírito, a alma e o corpo – seja guardado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!" (1 Tess. 5, 16‐18.23s).
Com estes mesmos sentimentos queremos que continuais a viver o Ano Sacerdotal: sempre alegres, porque grande é o dom da vossa vocação e urgente um novo ardor missionário, a fazer‐se presente no coração sacerdotal de cada um de vós. Despedimo‐nos, implorando ao Senhor Jesus que vos abençoe e santifique com a sua graça!

Card. Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo - Prefeito da Congregação para o Clero .
Cidade do Vaticano, fevereiro de 2010.

03/03/2010

Reflexões para a Quaresma II

Segunda-Feira – 2ª. Semana da Quaresma


 
Humildade é importante. Atualmente não é um valor cultural importante, já que estamos em uma era de celebridades e auto-expressão. O mundo em que vivemos pode nos ajudar a entender melhor o que é humildade, ao nos mostrar o que não é. Você poderia, por exemplo, ser famoso e humilde, embora o desejo de ser famoso talvez o impeça de ser humilde. Você poderia ser um grande artista ou um “blogeiro” e ser humilde, todavia estas atividades poderiam absorver tanto seu tempo que você esqueceria quem realmente é. Humildade é essencialmente auto-conhecimento. Isto é importante porque saber quem você é essencialmente – e não somente pelos olhos de outras pessoas ou ainda pelo prisma de nosso ego – é condição para se conhecer a Deus. Só podemos conhecer a Deus através de um processo de não-conhecimento - abandonando as tentativas de aprisioná-lo e medi-lo. Essas tentativas geralmente nos levam a falsos deuses. O não-conhecimento (o caminho da meditação) é ‘deixar os pensamentos de lado’. É como se desnudar. Como quando vamos a um exame medico e nos pedem para tirarmos a roupa. Isto pode nos deixar inicialmente envergonhados e desconfortáveis, sentados ali vestindo “aquela camisola pela metade” (que nos deixa mais nus do que vestidos) esperando a vez de ser examinado. Se sentir meio bobo também faz parte da fase inicial da meditação. Estarmos como Deus nos criou, vestindo só o que vestíamos quando viemos ao mundo, é meditação. A palavra humildade se origina do latim “húmus”, que significa terra. Reserve hoje alguns momentos para olhar o solo, seja num parque, num vaso de planta ou num monte. Especialmente quando a primavera chega ao hemisfério norte - ou com a fecundidade do solo nos Trópicos - você talvez tenha um insight de quão fértil a humildade é com seu jeito “pé no chão”, na sua falta de pretensão e auto-engano.
 
Laurence Freeman, OSB
Tradução: Alessandro Akil

01/03/2010

Entrada no Noviciado - La Paz - Bolívia















No dia 21 de fevereiro, Benito Lopes iniciou seu caminho como noviço Filho de Sant'Ana.
Atualmente o Noviciado "São Joaquim" está localizado em La Paz, na Bolívia e o formador é o Ir. Rafael.

Ir. Juan Carlos

Reflexões para a Quaresma I

Domingo da segunda semana da Quaresma (28/02/10)

Transfiguração. Jesus subiu a montanha com seus três discípulos mais próximos para orar. Lá - enquanto os discípulos lutavam para ficar acordados - ele foi transfigurado em luz.
Um budista tibetano com seu conhecimento do continuum mente-corpo tem pouca dificuldade para aceitar a história literalmente. O ocidental moderno tende a buscar o significado metafórico. Mas se tudo no mundo material e mental é, em certo sentido, uma metáfora de uma realidade que não podemos compreender, mas apenas encontrar e se unir com aqueles transformados por ela, a diferença é tão grande?  A questão não é apenas refletir sobre o que aconteceu, mas ver que ela nos mostra algo de nosso próprio destino e potencial incompreensíveis. Hoje vou estar com uma família cujo filho de 21 anos de idade morreu em um trágico acidente há dois anos. A experiência do tempo não diminui a dor da ausência, mas algo muda. A vida flui, e cada dia tem as suas distrações, mas um processo mais profundo se desenrola. O luto é algo que faz parte da transfiguração da consciência humana. Quando Jesus transfigurado "falou" com Moisés e Elias, ele estava falando sobre sua morte próxima, estado de luto
  para o que viria a seguir. Não podemos fazer com que a vida tenha sentido sem esse horizonte.

Laurence Freeman OSB