INforme fsa

Informativo dos Filhos de Sant'Ana

27/02/2009

Encontro com os Catequistas


No dia 26 de fevereiro, encontrei-me com os catequistas da Paróquia de São Paulo, em Pedro Avelino-RN.


Durante uma tarde refletimos sobre os sacramentos e a sua importância para a nossa vida de Cristãos.


Uma visão geral de cada sacramento, como sinais da graça de Deus que impulsiona cada cristão que os recebe a comprometer-se e a testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo.

Os participantes saíram do encontro com a convicção de que a missão de cada um como catequista, como aqueles que preparam crianças, jovens e adultos para receberem os sacramentos, dependem em muito do testemunho que eles dão e da vivência que cada um tem destes Sacramentos.

Minha gratidão aos Catequistas de Pedro Avelino pela partilha de vida neste encontro e ao Pe. Ataíde, pároco, pelo convite feito para trabalhar junto com os catequistas da paróquia.

Pe. Magno Jales



Reunião dos Animadores e Coordenadores Vocacionais


“...Não estava o nosso coração ardendo, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras”. Lc 24, 32

Esse é o apelo de Deus para nós. Esse é o apelo que permeará os nossos Encontros Vocacionais durante este ano de 2009. Com isso nós que fazemos parte da pastoral vocacional dos Filhos de Sant`Ana, empenhados na construção do reino de Deus, e também atentos ao convite do Papa João Paulo II que diz: “ Não tenhais medo de chamar. Descei para junto dos jovens. Ide pessoalmente ao encontro deles e chamai. Os corações de muitos jovens estão dispostos a escutar-vos. Muitos deles procuram um escopo para viver; estão desejosos de descobrir uma missão que valha a pena consagrar-lhe a vida. Nós devemos chamar. O resto o Senhor fará, pois é Ele que oferece a cada um o seu dom particular, segundo a graça que lhe foi dada”, quer proporcionar aos jovens a oportunidade de perceber, em meio aos desafios do mundo hodierno, o seu compromisso batismal enquanto Igreja viva presente na sociedade, resgatando os seus valores de filhos amados de Deus em vista de sua realização enquanto jovens comprometidos com a verdade do Evangelho, fazendo assim um continuo crescimento e amadurecimento pessoal e comunitário como vocacionados Filho de Sant`Ana.
Diante dessa realidade estivemos reunidos nos dias 19 e 20 de fevereiro em Natal para avaliação e planejamento(O que devemos fazer? Quais são as medidas ou prioridades as quais temos de dar preferência neste ano?) traçando assim metas para atingirmos o nosso objetivo, estando dessa forma em comunhão com o nosso Plano Geral de Formação. Dessa forma ficou assim estruturada a Equipe dos animadores e coordenadores vocacionais: Ir. Eliano Firmino silvestre; Ir. José Charles da Silva; Ir Anderson Luis Silva dos Santos , responsáveis por Natal e cidades vizinhas e foi nomeado como parte integrante do grupo o Ir. Gilvan Bezerra da Silva responsável em Fortaleza e cidades vizinhas. Desde já agradecemos a Associação pela confiança depositada em cada um de nós e pedimos que intensifique as suas orações por cada um de nós e por todos aqueles que o pai na sua infinita Misericórdia nos confiar. Apoiados em Deus, contamos com suas orações.

Ir. Eliano

Despertar Vocacional


A vida de um Cristão é uma grande peregrinação, caminhamos para a plenitude, para Deus. E qual é o caminho que Deus quer que você tome para chegar até Ele? Como conhecer o seu caminho? Sabemos que a resposta, ás vezes, surge com muita clareza, outras não. Algumas pessoas sentem e conhecem o que o Senhor quer delas e, sem ter dúvidas, caminham na realização dessa vontade. Vivendo a alegria do seguimento, é que a Pastoral Vocacional dos Filhos e filhas de Sant’Ana chega até você e lança o convite outrora feito pelo próprio Jesus para participar do “Despertar Vocacional”, a realizar-se no próximo dia 29 de março de 2009. O encontro acontecerá na casa dos Filhos de Sant`Ana a partir das 8 horas, e terminará com a Celebração Eucarística as 15 horas, localizado na Av. Prudente de Morais, 2318 ( ao lado do Corpo de Bombeiros). Os interessados confirmar a presença pelo telefone (85) 3213-5116.


Ir. Eliano

JOVEM, A QUEM PROCURAS?


Impelido com aluz do Espirto Santo, no dia 26 de Fevereiro na paroquia São Paulo em Pedro Avelino-RN, nós Pré-Noviços,orientamos um encontro com a juventude naquela paróquia; o tema foi bem descutido por todos e aprofundado numa pespectiva de fazermos a juventude despertar para ouvir a voz de Jesus que pergunta:"joven , a quem procuras"?
Participaram conosco cerca de trinta jovens das diversas comunidades, todos cheios do desejo de ouvir e participar ativamente daquilo que o encontro propocionava-os.
Foi um momento enriquecedor para nossos jovens e acreditamos ter deixado sementes que com a Graça de Deus será germinada naquele solo tão necessitado desse fogo novo expresso na juventude, coração da Igreja!
Portanto, somos gratos pela oportunidade que foi concedida a nós, Pré-Noviços em puder orientar e ajudar da melhor forma aquela juventude que ouvindo apelo de Jesus quer se comprometer com ele de forma coerente e ativamente em meio a Igreja tendo-o como centro de suas vidas.


Pré-Noviços
Tállison e Edson

25/02/2009

Quarta-feira de Cinzas


Com a imposição das cinzas, se inicia uma estação espiritual particularmente relevante para todo cristão que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus.
Este tempo vigoroso do Ano litúrgico se caracteriza pela mensagem bíblica que pode ser resumida em uma palavra: " matanoeiete", que quer dizer "Convertei-vos". Este imperativo é proposto à mente dos fiéis mediante o austero rito da imposição das cinzas, o qual, com as palavras "Convertei-vos e crede no Evangelho" e com a expressão "Lembra-te de que és pó e para o pó voltarás", convida a todos a refletir sobre o dever da conversão, recordando a inexorável caducidade e efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.
A sugestiva cerimônia das cinzas eleva nossas mentes à realidade eterna que não passa jamais, a Deus; princípio e fim, alfa e ômega de nossa existência. A conversão não é, com efeito, nada mais que um voltar a Deus, valorizando as realidades terrenas sob a luz indefectível de sua verdade. Uma valorização que implica uma consciência cada vez mais diáfana do fato de que estamos de passagem neste fadigoso itinerário sobre a terra, e que nos impulsiona e estimula a trabalhar até o final, a fim de que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e triunfe em sua justiça.
Sinônimo de "conversão", é assim mesmo a palavra "penitência" … Penitência como mudança de mentalidade. Penitência como expressão de livre positivo esforço no seguimento de Cristo.

Na Igreja primitiva, variava a duração da Quaresma, mas eventualmente começava seis semanas (42 dias) antes da Páscoa.
Isto só dava por resultado 36 dias de jejum (já que se excluem os domingos). No século VII foram acrescentados quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma estabelecendo os quarenta dias de jejum, para imitar o jejum de Cristo no deserto.
Era prática comum em Roma que os penitentes começassem sua penitênica pública no primeiro dia de Quaresma. Eles eram salpicados de cinzas, vestidos com saial e obrigados a manter-se longe até que se reoconciliassem com a Igreja na Quinta-feira Santa ou a Quinta-feira antes da Páscoa. Quando estas práticas caíram em desuso (do século VIII ao X) o início da temporada penitencial da Quaresma foi simbolizada colocando cinzas nas cabeças de toda a congregação.
Hoje em dia na Igreja, na Quarta-feira de Cinzas, o cristão recebe uma cruz na fronte com as cinzas obtidas da queima das palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior. Esta tradição da Igreja ficou como um simples serviço em algumas Igrejas protestantes como a anglicana e a luterana. A Igreja Ortodoxa começa a quaresma desde a segunda-feira anterior e não celebra a Quarta-feira de Cinzas.


23/02/2009

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE O PAPA BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2009


Queridos irmãos e irmãs!
No início da Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso, a Liturgia propõe-nos três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã – a oração, a esmola, o jejum – a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e deste modo fazer experiência do poder de Deus que, como ouviremos na Vigília pascal, «derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos. Dissipa o ódio, domina a insensibilidade dos poderosos, promove a concórdia e a paz» (Hino pascal). Na habitual Mensagem quaresmal, gostaria de reflectir este ano em particular sobre o valor e o sentido do jejum. De facto a Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de empreender a sua missão pública. Lemos no Evangelho: «O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demónio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome» (Mt 4, 1-2). Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Êx 34, 28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (cf. 1 Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.
Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento. As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar. Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor comanda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: «Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás» (Gn 2, 16-17). Comentando a ordem divina, São Basílio observa que «o jejum foi ordenado no Paraíso», e «o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão». Portanto, ele conclui: «O “não comas” e, portanto, a lei do jejum e da abstinência» (cf. Sermo de jejunio: PG 31, 163, 98). Dado que todos estamos estorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar «para nos humilhar – diz – diante do nosso Deus» (8, 21). O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua protecção. O mesmo fizeram os habitantes de Ninive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: «Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?» (3, 9). Também então Deus viu as suas obras e os poupou.
No Novo Testamento, Jesus ressalta a razão profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescrições impostas pela lei, mas o seu coração estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, repete também noutras partes o Mestre divino, é antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual «vê no oculto, recompensar-te-á» (Mt 6, 18). Ele próprio dá o exemplo respondendo a satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que «nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4, 4). O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o «verdadeiro alimento», que é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34). Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor «de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal», com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia.
Encontramos a prática do jejum muito presente na primeira comunidade cristã (cf. Act 13, 3; 14, 22; 27, 21; 2 Cor 6, 5). Também os Padres da Igreja falam da força do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do «velho Adão», e de abrir no coração do crente o caminho para Deus. O jejum é também uma prática frequente e recomendada pelos santos de todas as épocas. Escreve São Pedro Crisólogo: «O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica» (Sermo 43; PL 52, 320.332).
Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma «terapia» para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus. Na Constituição apostólica Paenitemini de 1966, o Servo de Deus Paulo VI reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada cristão a «não viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e... também a viver pelos irmãos» (Cf. Cap. I). A Quaresma poderia ser uma ocasião oportuna para retomar as normas contidas na citada Constituição apostólica, valorizando o significado autêntico e perene desta antiga prática penitencial, que pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo, primeiro e máximo mandamento da nova Lei e compêndio de todo o Evangelho (cf. Mt 22, 34-40).
A prática fiel do jejum contribui ainda para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Santo Agostinho, que conhecia bem as próprias inclinações negativas e as definia «nó complicado e emaranhado» (Confissões, II, 10.18), no seu tratado A utilidade do jejum, escrevia: «Certamente é um suplício que me inflijo, mas para que Ele me perdoe; castigo-me por mim mesmo para que Ele me ajude, para aprazer aos seus olhos, para alcançar o agrado da sua doçura» (Sermo 400, 3, 3: PL 40, 708). Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua palavra de salvação. Com o jejum e com a oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus.
Ao mesmo tempo, o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos. Na sua Primeira Carta São João admoesta: «Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?» (3, 17). Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre (cf. Enc. Deus caritas est, 15). Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente. Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola. Foi este, desde o início o estilo da comunidade cristã, na qual eram feitas colectas especiais (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27), e os irmãos eram convidados a dar aos pobres quanto, graças ao jejum, tinham poupado (cf. Didascalia Ap., V, 20, 18). Também hoje esta prática deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo litúrgico quaresmal.
De quanto disse sobressai com grande clareza que o jejum representa uma prática ascética importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a nós mesmos. Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino litúrgico quaresmal: «Utamur ergo parcius, / verbis, cibis et potibus, / somno, iocis et arcitius / perstemus in custodia – Usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permaneçamos mais atentamente vigilantes».
Queridos irmãos e irmãos, considerando bem, o jejum tem como sua finalidade última ajudar cada um de nós, como escrevia o Servo de Deus Papa João Paulo II, a fazer dom total de si a Deus (cf. Enc. Veritatis splendor, 21). A Quaresma seja portanto valorizada em cada família e em cada comunidade cristã para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma abrindo-a ao amor de Deus e do próximo. Penso em particular num maior compromisso na oração, na lectio divina, no recurso ao Sacramento da Reconciliação e na participação activa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa dominical. Com esta disposição interior entremos no clima penitencial da Quaresma. Acompanhe-nos a Bem-Aventurada Virgem Maria, Causa nostrae laetitiae, e ampare-nos no esforço de libertar o nosso coração da escravidão do pecado para o tornar cada vez mais «tabernáculo vivo de Deus». Com estes votos, ao garantir a minha oração para que cada crente e comunidade eclesial percorra um proveitoso itinerário quaresmal, concedo de coração a todos a Bênção Apostólica.
Vaticano, 11 de Dezembro de 2008.
BENEDICTUS PP. XVI
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A radicalidade do Cristo Crucificado


O nosso olhar deve se encher de coragem quando nos deparamos com a grande prova de amor do nosso Jesus Crucificado. Mistério profundo e rico de significado que nos impulsiona a viver uma maior entrega, a tal ponto de nos tornarmos capazes de tudo perder pelo Tudo que é Deus. Como nos ensina São Paulo na carta aos Filipenses, “sendo ele (Cristo) de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo... (Fil 2,6-7); diante de tal fato, não podemos fazer outra coisa senão nos esforçarmos para vivermos o nosso nada, alegres por poder nos entregar quotidianamente a vontade Divina.
Cristo, com o seu testemunho, nos ensinou que, se queremos ser felizes, não devemos estar lutando para termos tanto, ou mesmo, para ser tanto, mas nos diz que o caminho verdadeiro que todo discípulo deve percorrer, é aquele da “nulidade”. É como se a cada dia tivéssemos que desaparecer mais, para que assim seja Cristo a viver em nós. Porém, aquilo que nos é ensinado, é que devemos ser os primeiros, os melhores, os mais famosos, os que detêm o maior poder. Nos viciamos e nos afadigamos nesta constante busca pela grandeza, pela fama e, movidos por isso, somos muitas vezes, capazes de passar por cima de todos, pois os outros não são vistos como irmãos que devem ser amados por aquilo que são, mas como rivais, que devem ser vencidos e superados.
Jesus, ao contrário, teve a ousadia de tornar-se “nada”, perder tudo; viveu radicalmente o seu “Sim” ao Pai, justamente porque tinha os seus olhos fixos na meta, no essencial. Em nenhum momento deixou que as coisas passageiras e efêmeras atrapalhassem o desenvolvimento da sua missão. Como seria maravilhoso se, do mesmo modo, conduzíssemos a nossa vida, transformando-a em um hino de louvor e entrega ao Rei dos reis.
Nos acostumamos, nos dias atuais, a viver de realidades aparentes e passageiras. Perdemos tempo com tantas coisas, que muitas vezes deixamos de contemplar o essencial da vida. Cristo não tirou os seus olhos do seu ideal, do seu fim, do essencial que deveria viver em sua vida. Mesmo sabendo que no final do caminho tivesse que se entregar total, não se deixou intimidar, mas ao contrário, correu ainda mais rápido, pois sabia que a dor nunca seria capaz de destruir ou impedir a sua vitória sobre a morte. Quando somos conscientes do chamado que o Eterno Pai nos fez, ninguém nunca poderá nos impedir de concretizá-lo, somente nós mesmos, com o nosso não a esta vontade.
Quando fomos criados, Deus nos entregou, junto com nossa liberdade, um belíssimo caminho para construir e percorrer, mas o mais belo é constatar que Ele já tinha pensado em um final, não no sentido de algo que obrigatoriamente tivéssemos que viver, mas no sentido de que o lugar final onde deveríamos chegar já estava evidente deste o primeiro momento, depende de cada um buscá-lo e abraçá-lo! Imaginemos um alpinista, no início do seu caminho; ele se determina a atingir o topo de um monte, e é justamente o olhar para o seu objetivo que o faz caminhar sempre mais; nos momentos difíceis, se deixa fortalecer pela vontade de atingir a sua meta. Se enche de coragem e continua, mesmo se muitas são as dificuldades. A meta funciona como uma força propulsora que nos envolve e nos torna capazes de fazer loucuras pelo simples fato de poder um dia atingí-la.
O caminho não é fácil, muitas vezes nos perdemos, nos sentimos cansados; outras vezes parece que todos querem nos impedir de continuar; em outros momentos, aparecem verdadeiros anjos que nos ajudam a prosseguir. Portanto, o mais importante, é sabermos que ninguém terá o poder para nos animar ou desanimar, depende muito mais do fato de estarmos com olhar fixo na nossa meta ou não.
Aqui podemos refletir sobre o essencial e o acidental. Jesus buscou o essencial sempre, mas muitas vezes usou o acidental simplesmente para que os homens pudessem entender melhor a sua mensagem. Por exemplo, Ele não precisava fazer barro com a saliva, para curar ninguém; nem muito menos dizer algumas palavras para que o mar se acalmasse. Porém, Ele quis usar o acidental para nos ajudar a contemplar melhor o essencial que muitas vezes está invisível aos nossos olhos. O que nos motiva na caminhada nunca pode ser o cumprir o acidental pelo acidental, e sim o essencial, ou seja, não nos consagramos a Deus para vivermos bem os votos, mas para através desta realidade acidental atingirmos a santidade, que é ser inteiramente de Deus. Os sinais são importantes, mas nunca podem ser substituídos por aquilo que significam. Explico-me, o crucifixo somente é importante para nós cristãos, porque nele encontramos o significado ou a prova do amor de Deus, em si mesmo não diria nada, mas Cristo com a sua morte, o re-significou. É o significante unido ao significado que produz um sinal.
Precisamos centrar o nosso olhar no essencial e utilizarmos dos acidentais para que cada vez mais consigamos ser fiéis no nosso caminho. Quanto mais fixamos o nosso olhar sobre o essencial mais viveremos de modo radical, pois é impossível olhar para a beleza e não se deixar seduzir por ela. Olhamos para beleza que é Deus e queremos radicalmente viver nele, sem medo de perder tudo, justamente porque sabemos que aquilo que abraçamos é muito maior do que aquilo que deixamos.
Nesta quaresma, olhemos para o nosso Amado Jesus, caminhemos com Ele no deserto, nos tornemos os seus companheiros de caminhada; não será fácil, as dificuldades nos tentarão muitas vezes a voltar atrás, ou mesmo, de termos a vontade de nos entregarmos a uma morte prematura, vazia de esperança. Como Jesus, não nos deixemos abater por aquilo que pode nos fazer desistir, mas fortaleçamos o nosso espírito com o essencial, com a certeza de onde devemos e queremos chegar. Os nossos olhos se encherão de vida, o nosso coração de coragem e não somente caminharemos, mas em alguns momentos correremos rumo à meta da nossa vida.
É tempo de nos fortalecermos, de abandonarmos os acidentais que nos destrói, ou mesmo, de repensá-los, de voltar a vê-los como aquilo que realmente são: acidentais. É hora de olhar para o essencial e viver de modo radical a nossa entrega a Deus.
Que neste tempo forte da Quaresma, possamos olhar para Cristo como modelo e meta e crescer assim na vivência do ESSENCIAL. Desta forma, sem dúvida alguma, nos tornaremos mais RADICAIS na vivência do amor, do perdão, da doação, da entrega... Nos recordemos sempre: Quando assumimos com coragem o nosso nada, nos tornamos verdadeiros gigantes.
Bom retiro Quaresmal.


Padre Leandro Cunha Lopes, fsa

QUARESMA


1. O que é a Quaresma?

· A Quaresma tem dupla índole: batismal e penitencial. É caracterizada pela escuta intensificada da Palavra de Deus, pela oração e pela mudança de vida pessoal e social.
· Quaresma é tempo de preparação para a Páscoa que começa na Quarta-feira de Cinzas e vai até a missa da Ceia do Senhor, com a qual iniciamos o Tríduo Pascal.
· São quarenta dias em que somos convidados a viver o mistério de Jesus no deserto, a ficar cara a cara com Deus na oração pessoal e comunitária, escutando sua Palavra, sendo provocado por ele, deixando que purifique nossa fé e nos afaste de tudo aquilo que nos impede de vivê-la com radicalidade.
· Também o povo de Israel fez sua experiência de deserto e foi provado durante 40 anos, convidado a deixar para rãs a escravidão no Egito, e a buscar, esperançoso, a Terra Prometida.
· Quaresma é tempo de jejum. Este não tem valor em si, mas é um meio poderoso para nos disciplinar a aprendermos a não seguir nossa própria vontade, mas a do Senhor.
· Quaresma é tempo de Campanha da Fraternidade. Além do jejum, a Quaresma tem sido tradicionalmente tempo de oração e esmola. Esmola, não no sentido pejorativo e mesquinho de quem dá o que sobra; mas no sentido bíblico de ter amor e compaixão, de abrir o coração para os irmãos necessitados, excluídos, injustiçados..., procurando juntos caminhos para se estabelecer uma sociedade justa, fraterna, não-excludente.
· A penitência do tempo da Quaresma não seja somente interna e individual, mas também externa e social.
· Por isso, atualizando estes três meios tradicionais, a Igreja no Brasil organiza todos os anos durante a Quaresma, desde 1964, a Campanha da Fraternidade (CF).
· Cada ano, a CF focaliza um aspecto de nossa vida em sociedade que é preciso melhorar, a fim de que, como cristãos, possamos contribuir para que a humanidade alcance este objetivo.
· A Cf deste ano tem como tema: Fraternidade e segurança pública; e como lema: A paz é fruto da justiça. Com este tema e com este lema, iremos refletir sobre a realidade do sistema judiciário. Queremos, assim, tomar consciência da difícil situação em que vivem hoje acusados e vítimas e, mais que isso, ser solidários através da oração e de gestos concretos que visem a implantar em nosso país uma justiça que faça justiça sendo justa.
· As celebrações litúrgicas, como expressão ritual de nossa fé, como ponto e ponto de referência de toda a vida cristã, não podem, portanto, deixar de expressar a realidade, os fatos, os acontecimentos de nossa vida, os sinais de morte e de ressurreição presentes na história atual de cada um de nós, da comunidade, da sociedade, do mundo...
· Não podem deixar de nos levar a um compromisso vital com a transformação da realidade, fazendo com que nela vá resplandecendo a luz da ressurreição de Cristo Jesus.

2. Algumas características das celebrações do tempo da Quaresma

· A Quaresma requer sobriedade, despojamento, ares de deserto!
· O clima geral é de recolhimento, retiro. Por isso, não se canta o Glória (a não ser nas solenidades e festas ou em alguma celebração), nem o Aleluia... não se tocam instrumentos musicais (a não ser se for necessário para acompanhar os cantos).
· Pelo mesmo motivo, toda a organização do espaço de celebração será de grande sobriedade e despojamento.
· Não se usam flores nem outros enfeites (a não ser no quarto domingo) usa-se a cor roxa para as vestes litúrgicas (casula, estola...); nos locais em que se tem o costume de cobrir a mesa da Palavra com um pano, pode-se usar da mesma cor (No quarto domingo, a cor usada tradicionalmente é o cor-de-rosa).
· Não deve faltar a celebração penitencial, em preparação às festas pastais.
· Em muitas regiões, a via sacra é devoção inseparável da prática quaresmal.

3. As celebrações da Quaresma

· Celebração das cinzas.
· Cinco domingos da Quaresma.
· Cinco semanas da Quaresma.
· Celebrações penitenciais.
· Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.
· Missa do Crisma.


BUYST, Ione. Preparando a Páscoa: Quaresma, Tríduo Pascal, Tempo Pascal. São Paulo: Paulinas, 2002.


Pe. Magno Jales