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Informativo dos Filhos de Sant'Ana

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26/07/2012

As redes sociais também fizeram suas homenagens a Ana e Joaquim.

Segue algumas imagens retiradas do Facebook:
Para ampliar é só clicar na imagem







17/07/2011

Sant´Ana - 1° Dia do novenário

Por Ir. Jarbson FSA
De Natal/RN


Hoje iniciamos a novena em honra à Gloriosa Ana e o Glorioso Joaquim. Para nós, essa é uma devoção particular que caracteriza nosso ser como Consagrados e dar fundamentos teológicos à nossa espiritualidade. Nos unimos à todos os leitores que acompanham nosso blog, para juntos, elevarmos as nossas preces aos genitores de Maria Imaculada e render-lhes os louvores que lhes são devidos.
Comentário: Quem é Sant’Ana?

É aquela criatura privilegiada que Deus predestinou e escolheu para ser na terra, mãe da Virgem Imaculada, Mãe da Mãe de Deus, e avó de Jesus, Nosso Salvador. Sant’Ana, São Joaquim e São José, os pais e o esposo castíssimo de Maria, estão envoltos no silêncio e na humildade. Bem pouco deles se conhece e, no entanto o universo inteiro há séculos não cessa de cantar os seus louvores. Templos, altares, livros, estudos, festas, cânticos e suplicas em honra dos que formaram na terra a família mil vezes bendita do Verbo de Deus humanado.
Oração:
Pai Bom, que preparaste a vinda do teu Filho ao mundo, formando para Ti um "resto" de pobres e humildes, fiéis à tua lei de amor a Ti a ao próximo, concede a nós, que chamaste a continuar na Igreja a missão de Sant´Ana com a atitude dos "pobres", sermos fiéis à nossa vocação, na espera do retorno glorioso do Senhor Jesus. Porque teu é o Reino o Poder e a Glória nos séculos. AMÉM

02/12/2010

Festa de Sant´Ana de Caicó pode se tornar patrimônio cultural do Brasil

A tradicional feta de Sant´Ana, realizada no município de Caicó, pode se tornar patrimônio cultural do Brasil. No seridó a Santa-avó de Jesus-é reverenciada desde 26 de julho de 1748. O maior acontecimento sócio-religioso, não apenas de Caicó, mas de toda a região seridoenese, é considerado pela população, como a festa da família, do encontro, da recordação, da esperança e da fé. O Governador do estado do RN, Iberê Ferreira, encaminhou, nesta semana, um pedido ao Intituto do Patrimônio Cultural Histórico e Artístico Nacional, em Brasília, para consolidar a festa como uma manifestação cultural que traduz as raízes não somente do RN, mas do Brasil. "A festa de Sant´Ana de Caicó, é um evento tradicional da região do Seridó e que movimenta o turismo e a economia em nosso Estado no mês de julho. Além disso, é uma prova enorme de fé do povo seridoense. Nada mais justo que a festa obtenha esse reconhecimento, porque não permite ainda que esqueçamos nossas raízes culturais", afirmou o governador. A solicitação será analisada pelo conselho do IPHAN em uma reunião prevista para a primeira quinzena do mês de dezembro.

Sant´Ana como Patrona dos sertões potiguar e paraibano, a santa tem inspirado a fé no povo, aponto de ser considerada, pelos seus devotos, como elo entre Deus e a Salvação.

15/07/2010

Meditação de Sant'Ana XVI


MEDITAÇÃO PARA O DÉCIMO SEXTO DIA
“O EXÍLIO” – Ez. 34,23-31



Experiência memorável e atroz. O exílio se traduzia na antiguidade como o mais funesto e trágico dos castigos. O homem antigo vivia em um espaço no qual valia enquanto parte de um determinado corpo social. Diversamente de hoje, onde cada um almeja segundo a sua própria vontade e existe como indivíduo, eram as tradições, seus deuses e ritos que identificavam e davam sentido à própria existência.
O exílio é um próprio “matar’ no mais profundo de suas convicções o ser humano. Abater a árvore um tempo frondosa.
Poderia ter sido este o fim de Judá, como duzentos anos antes tinha sido aquele do reino de Israel. Mas eis que o Senhor ilumina os seus e mesmo diante do duro castigo infringido, não lhes abandona. A releitura da própria historia e dos eventos à luz da fé, deu ao povo judeu a sagacidade e paciência necessária para superar o agir do dominador; e assim manter-se fiel à Aliança e um dia voltar para a terra prometida cantando, como nos apresenta o salmo 126(125).
Assim também nós, fazendo história dos eventos que marcam o nosso quotidiano, assumimos a responsabilidade de cooperar ao agir salvador, disponibilizando nossas forças para o completo sucesso do advento do Reino dos céus.

Pe. Valdo

Meditação de Sant'Ana XV


MEDITAÇÃO PARA O DÉCIMO QUINTO DIA
“A MÃE DO MESSIAS” – Is. 7,10-16



Pode uma simples palavra criar no tempo uma das mais incríveis expectativas que a humanidade tenha podido viver?
A resposta é “sim”, quando em meio está a vontade soberana di Deus que se aproveita das mais sérias às mais escabrosas ações humanas para poder manifestar o seu amor e a sua Providência.
Deus age antes de tudo fornecendo a Isaias aquela sagacidade necessária para desmascarar a hipocrisia do rei Acaz. Aqui, diz o Profeta, não se trata de um ato piedoso do Rei para não tentar o Senhor. Mas de um seu subterfúgio para mascarar uma triste verdade: o rei não possui mais a fé. Tornou-se vazio, como vazios eram os cultos oferecidos a baal; hediondos porque não somente atentavam contra a Providência divina; mas porque agiam contra a própria vida. Acredita-se que o rei tenha feito “passar” os seus filhos pelo fogo; em outras e cruas palavras, os sacrificou a baal.
Aqui, pois a profecia não se resume somente a um fato extraordinário a fazer-se presente em um tempo futuro; mas é um grito de dor de um Deus ferido no seu amor, e que vem em socorro de tantos inocentes injustamente condenados.
A Casa de Davi nunca desceu tanto no pactuar-se com tais opróbrios. Mas a fidelidade Divina fala mais alto e pela boca do Profeta Isaías faz saber a todos que vencerá o amor e nisto, nós somos mais que certos, pois a Virgem conceberá e dará a luz a um filho, que será o Emanuel: Deus (sempre) conosco!

Pe. Valdo

Meditações de Sant'Ana XIV


MEDITAÇÃO PARA O DÉCIMO QUARTO DIA
“A DESCENDÊNCIA DE DAVI” – Is. 9,1-6


A leitura que acompanha este dia vem utilizada pela liturgia na noite de Natal. Nos fala de esperança; porém de uma esperança não alienante, que nos desenraiza da dura realidade do quotidiano; mas ao contrário nos lança em direção ao soberano agir de Deus que não desdenha a nossa situação, mas nos impulsiona com a potência do seu Espírito para descobrir novos modos de enfrentar e superar aquilo que nos quer afastar do seu amor.
“Uma criança é nata para nós; nos foi dado um filho” (9,5).
Todo nascimento, toda vida, com seu conseqüente desenvolvimento e amadurecimento nos lança no misterioso plano da salvação. Deus ama a vida, e mesmo em meio à mais séria e deletéria situação de opressão, Ele age e manifesta o seu poder. A descendência de Davi, da qual deveria surgir o Messias, parece não ter mais condições de se manter; traições, perfídia, luta pelo poder minaram as bases deste edifício espiritual que deveria ser o espaço do encontro de deus com suas criaturas. Mas eis que o Senhor, pela boca do mesmo Profeta anuncia outra profecia que continua no tempo aquela proferida por Isaias no capítulo sétimo do seu livro.
Para nós, a lição permanece como uma chamada de atenção diante de nossas ambigüidades. Acreditar contra todo descrédito; ousar lançar-se no obscuro espaço de uma fé construída não sobre fantasias, mas sobre a confiança que Deus pode tudo.

Pe. Valdo

Meditação de Sant'Ana XIII


MEDITAÇÃO PARA O DÉCIMO TERCEIRO DIA
“A ALIANÇA COM DAVI” – 2 Sm 7,1-16



Conhecemos a história de Davi, este rei menino, tirado do meio dos seus por pura bondade e providência divina. A sua vida se torna uma unidade com o processo de formação daquele que será o futuro Reino de Israel ao redor do século IX a.C.
Mas até chegar a tal ponto, é preciso reconhecer já na sua escolha, um modo diverso, todo de Deus; preciosa pedagogia a aprender, de como através dos pequenos o Senhor guia com liberdade a história humana segundo um misterioso desígnio de justiça (cf. 1 Sm 16,12-13), já confirmado nos versículos precedentes: “Não olhar o seu aspecto nem a imponência da sua estatura. Eu o descartei (referindo-se a um dos irmãos de Davi), porque eu não olho para quilo que vê o homem. O homem observa a aparência, o Senhor vê o coração” (cf. 1 Sm 16,7).
Esta “preferência” por Davi será testemunhada nos acontecimentos futuros diante das atitudes pouco “claras” do nosso herói bíblico.
O próprio de Davi, a sua “pietas”, não reside em uma retidão cultual ou valorativa; mas em uma atitude toda particular de relacionar-se com Deus, reconhecendo-o realmente como o Senhor, o único e verdadeiro Rei de Israel. Mesmo adaptando-se aos ditames estéticos das antigas cortes do médio-oriente, Davi jamais perderá aquela “inocência” bíblica que o faz súbito, depois de ter pecado, reconhecer amargamente na consciência, o delito efetuado (cf. 2 Sm 12,1-13).
A Aliança com Davi se manifesta portanto como um ato da confiança divina que se empenha a dar ao homem sempre uma nova possibilidade de reconhecer a verdadeira fonte de vida, e de, mesmo depois de errar, converter-se em vista de um bem maior: a Salvação.

Pe. Valdo

Meditação de Sant'Ana XII


MEDITAÇÃO PARA O DÉCIMO SEGUNDO DIA
“A ALIANÇA DO SINAI” – Ex 19,1-8; 24,4-8



É chegado o grande momento no qual Deus confia a Moisés a responsabilidade de dirigir-se ao povo e invocar no seu nome o pacto que responsabilizará as duas partes em um ato de confiança recíproca e eterna.
Um termo, que não obstante a grande quantidade de literatura produzida a seu respeito, permanece de certo modo obscuro e misterioso. Uma aliança e tantas alianças; é assim que paradoxalmente se manifesta a Aliança do Sinai. Uma única, porque em Deus sua vontade coincide com o seu agir. O Senhor estabelece de uma vez por todas com o seu povo um pacto de amor e de contínua presença; do outro lado, Israel se assume também tal responsabilidade diante da clara e pontual atitude de Moisés quando faz a leitura do “livro da Aliança” (cf. 19,7; 24,7). A resposta do povo nos porta a crer em uma atitude amadurecida e constante no tempo: “... tudo quanto o Senhor nos ordenou, nós faremos e cumpriremos.” (cf. 24,7b).
Porém a historia e os eventos futuros demonstrarão diversamente que para nós nem sempre, ou, em modo enfático, raramente desejo e ação raramente coincidem.
Mas o fato está que o senhor garante a ação da Aliança. Através de seus representantes continuará a proclamar o seu desejo de ter-nos consigo, até que na plenitude dos tempos, se estabelecerá por obra de seu Messias a nova e eterna Aliança.
Para nós serve de estímulo, mas também de reflexão o grau de seriedade com a qual assumimos nossas responsabilidades diante do Senhor e daquelas pessoas com as quais quotidianamente nos comprometemos em nossas atividades jornaleiras.

Pe. Valdo

06/07/2010

Meditação de Sant'Ana - XI


MEDITAÇÃO PARA O DÉCIMO PRIMEIRO DIA
“O DESERTO” – Ex 15,22ss – 16,1-7



A palavra hebraica que traduzimos por “deserto” é “midbar” que significa não somente deserto lugar desabitado, terreno seco, árido, terreno não cultivado, estepe, mas se deve também relacionar com a raiz hebraica “dbr” que significa “falar”. Deste modo, a palavra “midbar” significa também conversação, diálogo. Dois significados que podem parecer contraditórios ou opostos, mas que na experiência religiosa do deserto não o são absolutamente.
O deserto representa um paradoxo para o antigo Israel tanto no plano natural como no plano teológico. No âmbito natural porque o deserto como o seu nomadismo é um componente essencial da historia do povo hebreu, destinado à vida sedentária na terra prometida e muitas vezes errante entre tantos povos.
No âmbito teológico, o deserto aparece como um lugar de contradição visto que na Bíblia é o lugar reservado aos malditos e deserdados, mas ao mesmo tempo foi o lugar onde o povo de Israel teve as mais importantes e decisivas manifestações de amor da parte de Deus. Assim que no Antigo Testamento o deserto é uma região desolada, sem vegetação (Is 27,10; Jr 4,26; Jl 4,19), árida (Ez 19,13; Os 13,5), pouco segura (Jr 2,6; Lm 5,9), habitada por seres monstruosos e animais selvagens (Is 30,6; 35,7). Mas devido à experiência do Sinai, encontramos uma dupla valência no período de tempo no qual o povo de Israel passou no deserto. Oseias (2,6ss) e Jeremias (2,1-3) viram no deserto o lugar do primeiro amor entre o Senhor e Israel; outros o consideraram como um tempo de pecado e do castigo sucessivo. Para ambos os modos de considerar o deserto coincide o fato de ser reconhecido o deserto como uma etapa importante na marcha de Israel em direção à Terra Prometida durante a qual o povo aprendeu muito de si e de Deus.
O deserto representa pois um lugar ou um tempo de prova e ao mesmo tempo de graça e revelação (cf. Dt 8,2; Nm 9,19; Ex 19,1ss).
O deserto é o cenário privilegiado onde Deus age em favor de seu povo. Faz-se presente, toma cuidado com esse, o acompanha e o guia. Segundo Jr 2,1-3, a marcha no deserto foi o tempo das relações mais puras de Israel com o Senhor.
O deserto é o lugar onde Deus estabelecerá a Aliança com o seu povo. E isto supõe uma mudança considerável naquilo que diz respeito à concepção que o povo tinha do Senhor: o Deus do Antigo Testamento era o Deus transcendente, distante, invisível e do qual não se podia pronunciar o nome; e aqui nos encontramos diante de um Deus que, sem deixar de ser transcendente, quer entrar na história do seu povo, é sensível à sua realidade e toma os devidos cuidados para com o seu povo.
O deserto enfim o lugar onde o povo hebreu experimenta o amor de Deus e, portanto o lugar do enamoramento, conseqüência lógica do acolhimento deste amor.

Pe. Valdo

Meditação de Sant'Ana - X


MEDITAÇÃO PARA O DÉCIMO DIA
“O DEUS DO ÊXODO” – Ex 14, 5-30


Uma vez que IHWH se fez conhecer, não tanto através de deduções teológicas ou artes mágicas; mas através de um estratagema no qual o grande objetivo era aquele de atrair a atenção de sua criatura, no caso personificado em Moisés, que como o primeiro Adão se mostrava arredio ás responsabilidades propostas pelo Senhor; Deus se propõe como “Aquele que É”. Uma definição simples e dinâmica onde a tônica está próprio no apresentar-se como Aquele que se comunica que se importa e que valoriza a vida humana, adverso a tudo aquilo que machuca, avilta e empobrece o humano viver.
Suas manifestações de agora em diante até a grande e majestosa teofania da passagem do mar vermelho terão o objetivo de promover Moisés como o interlocutor privilegiado. Não por seus méritos, mas por pura bondade divina. Endurecido o coração do Faraó, não resta que partir. Um “êx - odos” – sair de... em direção a novas estradas, rumos, metas. Uma imagem da nossa própria existência. Somos “passantes” pelo mundo. Caminhamos sempre, mesmo enquanto dormimos embalados por nossos sonhos...
Mas não existe um “ex – odos” sem um “eis – odos”; ou seja, uma entrada, um passo que indica direção certa, objetivo a atingir.
É nesta seguinte etapa que o Senhor Deus fará a “ainda não-nação” Israel entrar. Será Ele, IHWH dos Exércitos a dar uma identidade, uma direção precisa verso horizontes mais abrangentes.
Façamos nós também, acompanhados pelo Senhor o “nosso êxodo”, acompanhados por Ana e Joaquim faremos no Senhor grandes coisas.

Pe. Valdo

04/07/2010

Meditação de Sant'Ana - IX


MEDITAÇÃO PARA O NONO DIA
“A PÁSCOA” – Ex 12,1-12


Palavra sagrada, carregada de significados de esperança, sonhos e projetos, espaço de intimidade com o eterno no tempo, memória continuamente atualizada no mistério do amor de Deus. A Páscoa é tudo isto e mais ainda para aqueles que têm a coragem de lançar-se nos braços do Eterno e acreditar que para Ele nada é impossível.
Como toda realidade espiritual, tem no tempo e no espaço o seu início; uma festa celebrada no início da primavera, ambiente carregado de possibilidades; a semente jogada desaparece sob o manto da terra úmida. Espera-se: Germinará!
Talvez seja este o significado mais íntimo e poderoso do momento pascal; acreditar que é possível mudar; mas consciente de que tal mudança pede uma resposta de qualidade, que envolva toda a própria existência. Assim acreditou o povo de Deus; assim acreditou Moisés.
Toda Páscoa é teofania, compreendida não somente como uma manifestação potente diante dos elementos naturais revolvidos pelo agir divino. Mas alargada no seu significado pela capacidade de agir sobre o nosso espírito. Passar da morte á vida; do pecado á plenitude da graça n’Ele.
Por isto se transforma em Memorial. Não somente a recordação de um acontecimento passado, mas a constante presença do mesmo. É o “hic et nunc” de Deus. A sua senhoria sobre a história.
Nossos Pais na fé acolheram tal mistério; o fizeram próprio.
Nós como Família da Santa Mãe Ana somos convidados a dar continuidade na nossa vida, a imprimir qual sinal de vitalidade cristã a dinâmica pascal em nossas vidas.
Que o Senhor nos conceda tal graça para que saibamos reconhecê-lo nos eventos, tornando cada agir nosso um momento pascal.
Pe. Valdo

02/07/2010

Medtiação de Sant'Ana - VIII


MEDITAÇÃO PARA O OITAVO DIA
“A VOCAÇÃO DE MOISÉS” – Ex 3,1-12


Com a história de Moisés se abre um novo período na vida do povo de Deus.
Da experiência de intimidade e liberdade vivida pelos Patriarcas de Abraão até Jacó, o povo de Deus passa agora por uma sofrida época de escravidão. Introduzidos por José no país do Egito e em um primeiro tempo tratados com respeito e distinção, os Hebreus aos poucos vêem reduzidas suas liberdades até o ponto de negada toda e qualquer expressão, passarem á mais completa escravidão.
Aqui, em um espaço de pura quotidianidade, Deus irrompe na história transformando-a segundo a sua pedagogia.
O “herói” em questão não é um valoroso soldado ou um poderoso sacerdote; mas um homem frágil, que embora criado no meio da realeza, vê na crise da própria identidade o momento de passar a um espaço de maior intimidade com Deus.
A vida de Moisés, não obstante ser conhecido no Antigo Testamento como “o amigo de Deus”, não o exonera da dura realidade de dever também ele dar seus passos, meio cambaleantes, em direção à verdade divina.
Uma vocação como a nossa, cheia de altos e baixos, de profundos encontros com o mistério, mas também cheia de tanto silêncio e incompreensão. E não obstante tudo, não se pode dizer que Moisés não foi sumamente amado por Deus. O interlocutor privilegiado, o mediador ante literam; para os Padres da Igreja, a prefiguração da única e eterna mediação de Jesus Cristo.
Quanto Moisés tem para nos ensinar! A confiança diante do mistério da sarça ardente; a capacidade de dialogar e estabelecer comunhão entre partes tão distantes quanto Deus e o povo de Israel na intrincada realidade dos fatos de então.
A própria vocação de íntima união com a história de seu povo levada ao extremo de, ele, o condutor, não poder colocar os pés na terra prometida, mas somente vislumbrá-la.
Uma história talvez tão nossa, que toca a própria consagração naquilo que é o seu efeito mais doloroso: abandonar conscientemente o meu projeto existencial, tão acalentado, para abraçar por toda a minha história aquele de Deus.
Um qualquer coisa de único, misterioso, divino.

Pe. Valdo

01/07/2010

Meditação de Sant'Ana - VII


MEDITAÇÃO PARA O SÉTIMO DIA
“OS PATRIARCAS” – Gn 28,3-4; 10-14


Até pouco tempo atrás o pedir “a bênção” aos pais ou aos avôs era um ato normal e familiarmente apreciado. Significava mais que um ato formal, um sinal de respeito e indiretamente, através daquela expressão: “Deus te abençoe!”, a certeza de que o Senhor estava ali vizinho, presente através daquelas bem ditas palavras. Tínhamos tempo para abençoar.
Hoje parece ter a situação mudada, sim, encontramos ainda famílias e espaços aonde esta sã tradição vem vivida, mas em relação a não muito tempo faz, bem poucos hoje pedem a bênção.
Talvez um dos fatores seja ligado a este frenesi de situações e atividades aos quais nos rebocamos. Parar e pedir que alguém te bem - diga, isto é que fale bem de você a Deus, para uma sociedade imediatista e não muito fã de relações de qualidade e duradouras parece próprio dispensável.
E, no entanto, a Palavra de Deus nos adverte claramente o quanto era essencial para alguém que partia em missão ou assumia um espaço novo na sociedade do seu tempo receber “a bênção” próprio porque era Deus que se manifestava demonstrando através daquele ato a sua predileção, favor em relação a quem a recebia. O melhor presente que alguém poderia receber era próprio “a bênção”. Esta fazia parte da promessa que Deus fez a Abraão e à sua descendência. Disse o Senhor a Abrão: “farei de ti um grande povo e te abençoarei, tornando grande o teu nome e te tornarás tu mesmo uma bênção. Abençoarei aqueles que te abençoarão... em ti serão abençoadas todas as famílias da terra.” (Gn 12,2.3).
Filhos da promessa, através de Sant’Ana e São Joaquim queremos como continuadores do agir da aliança pedir humildemente que sejamos abençoados, que nossas atividades e pensamentos sejam iluminados por esta benevolência celeste que, certamente nos ajudará a compreender e amar sempre mais a nossa chamada como servidores do Reino de Deus.

Pe. Valdo

30/06/2010

Meditação de Sant'Ana - VI


MEDITAÇÃO PARA O SEXTO DIA
“A FÉ DE ABRAÃO” – Gn 15,1-6


Podemos afirmar que o conceito que perpassa a inteira Palavra de Deus, cimentando-a, ou seja, servindo de ligação entre as diversas histórias com seus personagens seja o conceito de “aliança”. Compreendida como “disposição” divina que busca estabelecer uma relação de profunda comunhão com o ser humano. Da parte do Senhor temos através do dom da fé, transmitida a nós pelo sacramento do Batismo, a compreensão de que Ele faz aliança conosco uma vez para sempre.
Da nossa parte porém, nos damos muito cedo conta da nossa fragilidade. A fé como dom é inalienável. Mas como compreensão dos conteúdos e verdades propostas a nós pela virtude da religião, muitas vezes deixa a desejar.
Na pessoa de Abraão, todos nós nos encontramos. Ele é o “Pai na fé”; mas isto não faz dele uma criatura que nunca tenha duvidado. A sua confiança no poder de Deus é o pano de fundo no qual se desenvolve toda a compreensão daquilo que será a dialética da salvação. Confia, mas constantemente solicita novas “provas”.
Se trata de um paradoxo? De princípio não; pois o dom da fé pressupõe um espaço de dúvida e aperfeiçoamento contínuo do acreditar. Uma fé puramente baseada na sensibilidade é frágil e inconsistente. Uma fé adulta se mede próprio na liberdade de ousar pedir ulteriores confirmações, firme permanecendo aquela íntima certeza de que, além da compreensão da nossa humana razão: para Deus nada é impossível.
Visualizando a história de Abraão, assim como aquela de nossos progenitores Ana e Joaquim, ainda que em chave de literatura apócrifa, nos damos conta que a fé cresce próprio nos momentos em que vem posta à prova. A fidelidade divina confirma-nos que o Senhor busca sempre vir encontro, segundo a sua pedagogia, a nós para que, mesmo sendo posta à prova, não nos venha a faltar o sustento desta virtude teologal.

Pe. Valdo

29/06/2010

Meditações de Sant'Ana - V


MEDITAÇÃO PARA O QUINTO DIA
“A VOCAÇÃO DE ABRAÃO” – Gn 12,1-5



A pergunta feita por Deus a Adão: “Onde estás?”, logo após o ato pecador, nos coloca diante do grande mistério que circunda o Criador e a sua criatura, sim, porque a pergunta não diz respeito a uma dimensão espacial. Na sua onisciência, Deus sabe e vê tudo. O “onde estás” há uma valência toda espiritual. Isto é, no fundo, o Criador pergunta a Adão onde está o seu “coração”, sede não somente das simples emoções, mas da própria identidade humana enquanto imagem e semelhança de Deus. Desde o princípio, a relação humano – divino se constrói no espaço da comunicação. Deus diz... Deus cria. O agir de Deus vem precedido pela sua Palavra que salva. Mais que palavra, de conotação estática, Verbo, espaço dinâmico e interativo.
A própria aliança é pura comunicação, compreensão plena de intentos e disposição a acolher e amar o outro como ele é.
Deus nunca deixou de “chamar” o ser humano a participar consigo à obra da redenção; ainda que hoje haja quem diga que Ele não convoca mais seus eleitos, na verdade se engana. O nosso Deus, como os “enamorados”, sussurra; não grita. E infelizmente em um mundo de tantos barulhos e sons estridentes, realmente o seu convite contínuo passa despercebido.
Se faz necessário, muitas vezes, sair do meio do barulho para corajosamente entrar no deserto e “escutá-lo” como único som inteligível.
Neste contexto se manifesta a experiência de Abraão. Ele “ouve” o Senhor, acolhe a sua Promessa e participa da sua Benção.
O Senhor continua ininterruptamente a chamar-nos. Como Abraão abramos o nosso espírito ao entendimento da sua Palavra e acolhamos o seu eterno e atual chamado.

Pe. Valdo

28/06/2010

Meditações de Sant'Ana - IV


MEDITAÇÃO PARA O QUARTO DIA
“A PROMESSA” – Gn 3,8-15


Dirá o Anjo a Maria Santíssima: “Para Deus nada é impossível.” E assim, mesmo diante da ruptura relacional causada pelo pecado, Deus não abandona a sua amada criatura. Porém, a pedagogia divina associa à misericórdia a sua justiça. Adão e Eva devem deixar o Paraíso, pois já não compreendem o significado essencial da sua presença ali; porém o ato criador divino continua o seu itinerário através de uma Promessa. Os Padres da Igreja chamavam a esta passagem bíblica o “Proto Evangelho”, isto é, o primeiro anúncio da Boa Nova. A esta pequena, quase escondida certeza, se aglutinará toda a esperança de redenção.
O olhar do justo se perde no horizonte da história na busca confiante da realização de tal promessa.
Aqui já podemos dar como presentes no coração de cada homem e mulher de boa vontade aquelas virtudes que reavivarão a cada ciclo cumprido da história humana a esperança da salvação. Ana e Joaquim, personagens que para nós possuem um atrativo todo particular enquanto expressões carismáticas do nosso ideal vocacional, afirmam com o próprio silêncio aquela cooperação radical, não realizada por nossos Progenitores, mas conduzida à sua humana plenitude no “sim” da Virgem Maria.

Pe. Valdo

Meditações de Sant'Ana - III


MEDITAÇÃO PARA O TERCEIRO DIA
“O PECADO” – Gn 3,1-7


A Criação divina se apresenta como um todo harmônico, onde cada ser, cada espaço possui a sua vitalidade participada e continuada no outro.
Porém ao lado desta beleza e bondade conjugadas, o Criador quis que a sua mais amada criação: o ser humano pudesse participar, não da mero expectador, mas da ativo companheiro na compreensão e atuação do mistério. O dotou de corpo, consciência e liberdade, características que se entrelaçam somente no homem e na mulher.
Corpo para nós significa bem mais que o espaço que nos delimita enquanto matéria pensante; a compreensão de que somos, agimos e existimos. A “corporalidade” nos põe próprio dentro de uma dinâmica de relações onde o tocar, o sentir associados aos outros sentidos nos humanizam. A consciência nos da a capacidade de nos “espelharmos”, vermos o diverso como... diverso. A liberdade nos propicia aquela salutar possibilidade de escolher aquilo que nem sempre nos alegra em modo fatível, mas que nos faz perceber-nos capazes de altruísmo e determinação.
Tudo isto, porém pode ser distorcido pelo pecado, esta capacidade “diabólica”, isto é de dividir, mascarar o justo, o certo, trocando-o pelo possível, pelo “quem sabe”, pelo egoísmo e por fim pelo vazio. Ao significado unívoco dado por Deus de viver segundo a lei do amor, o ser humano escolhe a sua distorção, a dívida, ver o outro come um possível concorrente, rompendo aquela íntima comunhão outrora existente, e a partir do ato pecaminoso, uma distante recordação.

Pe. Valdo

27/06/2010

Meditações de Sant'Ana - II


MEDITAÇÃO PARA O SEGUNDO DIA
“A CRIAÇÃO DO HOMEM” – Gn 2, 7-15; 18-24


Para o Povo de Deus, a Sagrada Escritura é um continuo debruçar-se sobre a incansável capacidade de Deus de “fazer nova todas as coisas”. O ato criador divino se atua dia após dia através daqueles eventos que fazem parte do nosso quotidiano, e que nós, engolidos por nossos afanos e atividades não nos damos mais conta.
A criação do homem e da mulher, não se dá somente como uma “conseqüência lógica” de um processo evolutivo; mas como uma realidade dialógica. O nosso Deus é o deus da comunicação, do diálogo, da participação plena de si com e em direção ao outro. A prova está na sensibilidade divina em ter propiciado ao homem uma companheira que o entendesse e com ele se comunicasse segundo suas categorias.
Por duas vezes vem no livro do Gênesis acenada a criação da humanidade. Em um primeiro enfoque se dá peso à participação humana do ser divino. Fomos criados à sua “imagem e semelhança”. Possuímos incito no nosso ser a capacidade de nos comunicarmos com Deus. No segundo se acentua a dimensão dialógica da nossa existência. Fomos criados para nos comunicar; completamo-nos no outro. O diverso é apreciado por Deus, a sua criação é rica, próprio porque assim Ele a fez. E nós o atestamos com a nossa própria vida e atitude cada vez que nos abrimos e acolhemos o diverso, o outro como espaço de diálogo, crise e síntese.
Caminho fazendo se perceberá como é de capital importância para o nosso crescimento espiritual a disposição a escutar e conservar no coração aquilo que nos vem comunicado, e que ao seu tempo nos ajudará a aproximarmo-nos mais de Deus.

Pe. Valdo

26/06/2010

Meditações de Sant'Ana - I


MEDITAÇÃO PARA O PRIMEIRO DIA
“A CRIAÇÃO” – Gn 1, 1-25


A experiência do exílio foi de capital importância para o amadurecimento espiritual do povo de Israel. A frustração da derrota poderia ter conduzido os judeus restantes a um processo lento, mas inexorável de assimilação à cultura e à religião dos babilônios; mas aqui, valeu muito mais a experiência milenar de um povo que acreditou na Promessa mesmo diante das humanas falências. O Senhor Deus não foi derrotado, o que seria uma dedução normal, visto que os antigos associavam uma batalha celeste a cada sua batalha terrestre. Não. Para os judeus, IHWH não foi “derrotado”; mas fez prevalecer a sua reta justiça diante de um povo que o havia negado através de seus atos e profanações.
Porém, ao lado desta mesma justiça, o Senhor Deus colocou de modo pedagógico a sua misericórdia, de modo que Israel compreendesse e participasse aos outros povos a sua própria experiência de fé.
Esta é a mensagem que encontramos no início do livro do Gênesis. Deus prepara o ambiente em modo admirável para a chegada da sua mais preciosa criação. Cria os céus e a terra; embeleza o firmamento com astros e estrelas, de-mitizando aqueles que a um tempo eram considerados deuses. Agora não passam de “lustres” para iluminar o dia e a noite. Dá cor a terra povoando-a de seres que demonstrem com a sua existência a infinita criatividade do Altíssimo.
Deus é o Senhor, “Ho Pantocrator”, o criador de todas as coisas. Para Judá no exílio, as algemas e os cepos já não podiam aprisionar a sua fé e a certeza de que no tempo oportuno, no “kairós” de Deus a libertação se faria visível. Porém, enquanto esta não se manifestava, o deleite de escutar que o Onipotente havia subjugado todas as forças, e que o seu Espírito, livre, pairava sobre o firmamento, dava àquela sofrida esperança o sustento necessário para vencer as atuais dificuldades e sonhar com uma libertação que não tardaria a acontecer.

Pe. Valdo